Polícias envolvidos em ação que resultou em 9 mortes em Paraisópolis são afastados das ruas

Durante a intervenção da PM, pessoas foram pisoteadas e levadas em estado grave ao Pronto Socorro do Campo Limpo.

Policial

Foto: Reprodução G1

Nesta segunda-feira (02), os policias militares envolvidos na ação que resultou na morte de nove pessoas durante baile funk na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, na madrugada do domingo (01), foram afastados dos serviços operacionais.

Os PMs ficarão fora das ruas, e segundo o comandante geral da Polícia Militar, coronel Marcelo Vieira Salles, os polícias não estão exatamente afastados, mas sim “preservados” .

“Os policiais não estão afastados, estão preservados. Temos que concluir o inquérito. Não haverá como condená-los antes do devido processo legal. Seguirão em serviços administrativos, no horário deles, fazendo outras coisas”, disse Salles.

“É uma área complexa de trabalhar e, havendo outro evento parecido, eles poderão ser prejudicados. Estão sendo preservados. Eventos onde há morte, eles são submetidos a um trabalho de preservação, com psicólogos, análise médica. Inclusive para dar tranquilidade para apurar com inquérito, não haja ameaças a testemunhas. Eles são retirados, preservados no batalhão. Não usaria o termo afastado”, complementou o comandante.

O 89º DP (Portal do Morumbi) repassou para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) o boletim de ocorrência que apura morte suspeita, homicídio simples e lesão corporal.

O boletim diz que o polícias sofreram tentativa de homicídio. Uma mulher foi internada com uma lesão na perna causado por arma de fogo.

Segundo o porta-voz da PM, tenente-coronel Emerson Massera, 38 polícias participavam da ação no baile funk. A matéria publicada no G1, afirma que o boletim só traz a versão de seis policiais do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M).

Os moradores afirmam que houve uma emboscada da polícia. Os PMs alegam que as mortes aconteceram após uma perseguição policial seguida de tiros.

Investigação

A investigação sobre a conduta dos policias está nas mãos da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo e está sendo conduzida pelo subcomandante geral da PM do Estado, coronel Fernando Alencar Medeiros.

O porta-voz da Polícia Militar, o tenente-coronel Emerson Massera, afirma que nenhum policial fez disparos e que criminosos usaram os frequentadores do baile para se defender.

A polícia também negou que a ação tenha sido em retaliação pela morte de um policial.

Mortes

O boletim foi registrado pela Polícia Civil com base nas informações da Polícia Militar. O documento diz que as vítimas morreram pisoteadas ao fim do Baile da DZ7, na madrugada do domingo.

Os policias alegam que foram alvos de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta, durante uma Operação Pancadão na comunidade Paraisópolis, segunda maior de São Paulo. A policia afirma que os homens fugiram em direção ao baile funk ainda atirando e provocando tumulto. Cerca de 5 mil pessoas estavam no local.

Durante a confusão, pessoas foram pisoteadas e levadas em estado grave ao Pronto Socorro do Campo Limpo. Uma mulher e oito homens morreram. Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas, e duas foram internadas.

Emiliano da Silva Neto, delegado do 89º DP, todas as vítimas morreram pisoteadas e ninguém foi vítima de disparos.

No entanto, familiares de algumas das vítimas não acreditam que o pisoteamento seja o motivo das mortes. As famílias afirmar que é estranho o fato de não haver marcas esperadas por pisoteamento, como ferida e sangue.

Em entrevista ao site Jornalistas Livres, os irmãos de Denys Henrique Quirino da Silva, uma das vítimas, não concordaram com a versão da polícia. Para demonstrar a tese, mostraram a calça da vítima, que não tinha marcas de pisadas, mas estava suja apenas de barro nos joelhos e na altura das nádegas. “Se passaram por cima do meu irmão, porque a roupa dele está limpa assim?” afirmou um dos irmão.

Eles também afirmaram que os braços de Denys estavam quebrados.

Calça usada por Denys Henrique Quirino da Silva Imagem: Lucas Martins / Jornalistas Livres

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